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No. 9 - Sobre Laços e Afetos

We need someone to lean on

Nesse tempo, de AIESEC - intercâmbio na Índia, foi provavelmente o período em que eu mais criei laços com novas pessoas. Olhando para trás, fico me perguntando qual seria o principal motivo para isso. Seria a idade? Seria porque estava me inserindo em círculos sociais e contextos propícios para isso? Sem nunca chegar em uma conclusão, penso que provavelmente será muito difícil algo assim acontecer novamente. Talvez seja só a nostalgia falando mais alto, mas ficando mais velho, no contexto de sociedade que estamos nos tornando, em que nossas experiências estão cada vez mais individuais, penso que as chances estão crescentemente pesando contra. (infelizmente sei o quanto isso soa saudosista)

Desculpa, acabei divagando demais no presente/futuro, mas a intenção era justamente enfatizar a singularidade do que estava vivenciando. Não quero dizer que não tive tempos de introversão. Pelo contrário, foram muitos. Tinha dias e dias que evitava ao máximo interagir com pessoas. Mergulhava em assistir filmes, séries, documentários na tela do tablet ou no notebook do Nico. Algumas vezes, fui ao cinema sozinho quando podia pedir companhia. Também lia, não muito, mas alguns livros se tornaram meu conforto nos momentos de introspecção, outros me inspiraram a fazer uma outra graduação.

De todo modo, além dos meus dias em que me voltava para mim, os laços que criei durante esse período foram também muito importantes para me fazer enxergar o tanto de complexidade e significado que existe em nosso mundo e o quanto isso é extremamente difícil e maravilhoso ao mesmo tempo. E talvez, a intensidade da experiência, do contexto, contribuíram e muito para que esses laços tivessem um impacto tão grande.

Muitas vezes temos dificuldades de se entender com as pessoas mais próximas de nós, que cresceram junto a nós e que compartilham de uma mesma cultura, dentro de uma mesma crença de valores. E lá, fiquei fascinado com o como podemos nos aproximar a partir de nossas diferenças, como uma comunhão a partir do diverso. Onde me encontro agora, pensar nisso me ajuda a evitar frustrações quando discuto política, por exemplo. (apesar que muitas vezes não funcione)

Formar laços verdadeiros com aquelas pessoas, vindas dos mais variados lugares, naquele momento, naquele lugar foi algo que me marcou profundamente e carrego suas implicações consciente e inconscientemente desde então.

  • Fotos tiradas em 2016-01-18, 2016-01-23, 2016-01-24, 2016-01-26

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