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No. 10 - Lonavala ou Lonavla

Em minha primeira viagem de trem na Índia vou para Lonavala ou Lonavla (alguns lugares tem mais de uma grafia, não sei exatamente porque). A viagem foi proposta pelo Nico ou pelo Matthew, não lembro ao certo quem dos dois e não me recordo porque o André não veio com a gente.

Lonavla é uma vila que fica perto de Pune, cerca de 65 km. Lembro de termos alguma dificuldade pra pegar o trem. A grande maioria das informações na estação estava em hindi. Mas de alguma forma conseguimos pegar o trem certo.

A arquitetura da estação de trem de Pune remetia indubitavelmente ao período colonial inglês, se distinguindo das edificações de seu entorno. Mas lá, no seu interior, ela estava presente. A sinestésica, caótica, confusa e fascinante Índia.

No interior do trem, um vendedor de pipoca me chama atenção, carregando seu imenso saco transparente de pipoca e servindo seus clientes com a mesma mão que recebia os valores em dinheiro. Do lado de fora, no chão marcado pelas cusparadas de tabaco ou noz de areca, eu via folhetos de campanhas para inibir as pessoas de cuspir.

Acho que viajamos durante algum feriado nacional. Na estação recebemos broches da bandeira indiana.

O trem começa a andar. Compartilhamos a cabine com alguns locais com quem trocamos algumas tímidas interações, mas curiosas, de ambos lados. Aqui, capturo dois dos meus cliques favoritos de toda experiência lá fora. Uma, do Matthew com uma pequena indiana e outra, do Nico com um pequeno indiano. Essa última, sempre que vejo, mesmo depois de tanto tempo de tê-la tirado, gasto alguns minutos encarando-a. Me debruço sobre ela tentando exprimir seu significado, sempre sem uma conclusão definitiva.

A viagem rendeu um passeio no lago Lonavla que aparentemente não é banhável, porém muito bonito.

Contudo, a atração principal da viagem certamente foi Karla Caves. Esse complexo de cavernas abriga um monastério budista do segundo século antes de Cristo. Uma pequena amostra da riqueza histórica e cultural do continente indiano. Outro fato extraordinário é a própria construção das cavernas e seus ornamentos esculpidos em suas próprias pedras. Esse tipo de arquitetura estonteante (rock-cut) é encontrado em diversos lugares da Ìndia e tive o prazer e privilégio de conhecer alguns desses. Apesar das dificuldades, os indianos conseguem preservar esses sítios históricos com certa eficácia, visto o quanto antigo e numerosos eles são.

Presenciamos também alguns rituais religiosos que se davam naquele lugar e naquele momento. Infelizmente, ficamos sem entender muita coisa sobre seu conteúdo e apenas apreciamos sua forma.

Pelas fotos, foi uma viagem instigante, revelou-se uma escapa interessante do clima urbano de Pune. EDIT 1: De fato era um dos mais importantes feriados na Índia, o Dia da República. Um feriado celebrado nacionalmente que comemora a transição da Índia como república, realizada no dia 26 de janeiro de 1950. Marco importante que se deu após a turbulenta independência e partição do continente indiano em 1947 e marcou o início das hostilidades entre Índia e Paquistão.

  • Fotos tiradas em 2016-01-26

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