Índice


No. 2 - O Porquê - Parte II - Índia a vista

Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto a você

E em tudo que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber

E fui andando sem pensar em voltar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu

No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou, de estar onde estou

É 2015. Inauguração do segundo mandato da Presidenta Dilma. O horizonte já não parecia muito animador. Lembro que por algum motivo, acompanhei um trecho de uma coletiva de imprensa do então Ministro da Justiça, José Cardozo, defendendo e isentando a presidenta das investigações da Lava Jato, que avançavam a pleno vapor na época. Isso foi ainda no terceiro mês do novo mandato.

Um dos principais motivos sobre o porquê segui acompanhando aquela coletiva de imprensa dizia respeito à viagem, claro. Eu estava seguindo meu plano disciplinarmente. Tão disciplinarmente que não apenas havia feito uma poupança, mas estudado sobre aplicações financeiras e investido o dinheiro poupado para a realização do que por enquanto era o mochilão na Europa. Decerto, consegui um emprego melhor, que pagava um pouco mais e a situação em casa também era relativamente tranquila e, assim, eu não precisava contribuir para compor a renda. Então, conseguia economizar todo o mês para a viagem.

E se aproximando do prazo, minha formatura na graduação, a coisa ia ficando verdadeiramente séria. A grana para a viagem, que até então era apenas um objetivo distante, um sonho, agora estava realmente se tornando realidade. (parece até propaganda de banco de investimento, credo)

Interessante também que não compartilhei sobre esse plano com literalmente ninguém. Nem com minha família e nem com meus amigos mais íntimos. E foi só no decorrer de 2015, quando vi que realmente era uma possibilidade concreta, que comecei a compartilhar com amigos e a pensar em como seria, na prática, essa viagem.

Como conversava sobre a viagem somente com me, myself e eu, as ideias sobre a viagem vinham praticamente sempre da Internet. E foi lá que encontrei duas coisas que colocaram a Índia definitivamente no meu mapa: o blog 360meridianos e a AIESEC. E o motivo é bem simples e direto. O blog foi criado por jovens de BH que fizeram um intercâmbio, sim, na Índia e pela, claro, AIESEC. Mas longe de ser uma coletânea de fotos e relatos romantizados sobre a experiência, eles mandavam a real mesmo. Contavam sobre os perrengues leves e pesados no país e não aliviavam nas críticas sobre a AIESEC tanto aqui do Brasil como a de lá, na Índia.

De qualquer forma, o modo como eles falavam o quão transformadora foi a experiência na vida deles me acertou em cheio. Estava apaixonado. E fui atrás. Entrei em contato com a AIESEC. Para quem não conhece, a AIESEC é uma organização que promove intercâmbios praticamente no mundo inteiro e é basicamente feita por estudantes. Um dos escritórios aqui em SP fica na USP, na cidade universitária. E quando fui fazer a “entrevista” para o intercâmbio lá nesse escritório, (sim, eles fazem ou pelos faziam uma espécie de entrevista antes de colocar você no processo de intercâmbio), também foi a minha primeira experiência dentro da universidade pública. E assim me apaixonei novamente, agora por mais duas coisas: pela AIESEC e pela USP.

Me apaixonei tanto que não só me inscrevi para o programa de intercâmbio voluntário, mas também para participar do processo seletivo para ser membro do escritório da AIESEC USP. Como havia sido demitido do meu trabalho (o que na verdade foi ótimo para pegar meu FGTS, seguro-desemprego e concentrar no meu TCC, aliás saudades CLT) poderia fazer mais coisas no meu último semestre da faculdade. E passei, gente. Passei no processo seletivo da AIESEC na USP e me tornei membro. Lembro de ter ficado muito feliz.


Coolkau - Powered by hugo and Hugo Split Gallery theme (inspired by Hugo Split Theme and Split Template by One Page Love)